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Eu, Robô - Isaac Asimov

  • Lucas Benício
  • 19 de jul. de 2020
  • 4 min de leitura

O livro Eu, Robô é formado pela junção de contos escritos pelo russo Isaac Asimov (1920-1992), os contos já haviam sido publicados em diferentes revistas e foram unidos nesta coletânea. Isaac além de escritor foi um bioquímico, sendo considerado um dos melhores escritores de ficção cientifica, gênero no qual sempre se dedicou e que rendeu diversas ótimas obras, como O Homem Bicentenário, Planeta Infernal e mais de quinhentas outras obras. O livro é composto por dez contos que acompanham a evolução do mundo e da relação entre humanos e robôs, nos apresentando desde situações cotidianas, no entanto, com o auxilio das maquinas, até a resolução de problemas complexos por parte das inteligências artificiais.


No mundo idealizado pelo escritor, a relação humana-máquina é regida pelas três leis fundamentais da robótica, sendo a primeira “um robô não pode ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal”; a segunda “os robôs devem obedecer às ordens dos humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a primeira lei” e a terceira “um robô deve proteger sua própria existência, desde que não entre em conflito com as leis anteriores”. Tais leis ultrapassaram o campo da ficção e hoje podem ser tidas como uma base pra o desenvolvimento ético do convívio entre a humanidade e seres autômatos, algo que à alguns anos poderia parecer assustador e que nos tempos atuais ainda pode ser, mas que com o passar do tempo vem se tornando cada vez mais provável, fato que o famoso cientista Stephen Hawking afirmava temer, que um dia a inteligência artificial pudesse evoluir mais rápido do que nós.


Através destes contos Asimov trouxe inovação para a época indo além dos pensamentos mais conservadores, é certo que em seu livro a relação continuou sendo de subordinador e subordinado dos robôs em relação à humanidade, no entanto, o escritor acrescentou um tom de personificação às maquinas dando a elas a complexidade relativa à uma Inteligência artificial futurista, promovendo reflexão a cerca de origem, função no mundo e possibilidade de expressão de sentimentos, deixando para trás a superficialidade e dando origem a robores com a essência humana, passiveis de autorreflexão e dilemas sentimentais.


As narrativas são apresentadas como relatos da personagem Susan Calvin, presente direta ou indiretamente nos contos, o primeiro deles é intitulado Robbie e marca a relação de um robô que tem a função de babá em uma família, evidenciando a confiança entregue a uma maquina para lidar com uma criança, desta forma, a não ser pelas características físicas a maquina é vista cada vez mais humanizada, o que fica claro em passagens como “Mas Robbie ficou magoado com a acusação injusta, então se sentou com cuidado e chacoalhou pesadamente a cabeça de um lado para o outro”.


O segundo conto intitulado Andando em círculos marca a estreia de dois importantes personagens para a narrativa, sendo eles Gregory Powell e Mike Donovan, dois cientistas que resolvem problemas referentes à logica presente na atuação dos robôs em relação ás três leis da robótica, desta forma, o leitor fica cada vez mais entregue á narrativa, desvendando os princípios lógicos que governam o mundo das máquinas.


Razão e É preciso pegar o coelho seguem a mesma fórmula do segundo conto, onde os princípios lógicos das leis são postos em conflito, levando a um ar de mistério de como a situação poderá ser resolvida através de uma análise racional, algo que particularmente adorei.


Mentiroso! é o quinto entre os contos presentes no livro, nele somos aprofundados em como funciona a “mente”, cérebro positrônico, de uma máquina a partir da análise da psicóloga de robôs Susan Calvin, neste ponto fica evidente o quão grande foi a evolução neste âmbito ficcional, onde além de analisar os robôs pela lógica implantada nos mesmos, torna-se necessária uma avaliação psicológica do ser robotizado, o qual neste caso apresenta tal racionalidade a ponto de brincar com os sentimentos humanos.


Um robozinho sumido, Evasão!, Evidência e Um conflito evitável tem semelhança com os demais contos, no entanto, o livro não se torna de forma alguma repetitivo ou monótono, o leitor sempre é surpreendido com um conflito ou ocasião na qual novos dilemas ou até mesmo paradoxos são trazidos à tona, abrindo um universo de questionamentos em relação ao mundo com robôs, promovendo uma experiência incrível com a leitura deste livro.


Em suma, o livro promove uma imersão fantástica no mundo proposto por Asimov, gosto bastante do tom de mistério que é desenvolvido em alguns contos, onde é preciso resolver-se um problema através do raciocínio lógico, além do desenvolvimento dado às máquinas, o qual uma delas, acidentalmente ou não, chega a tal extremo que pode ser chamada de mentirosa, por conta de ações essencialmente humanas, enfim, é um livro que todos devem experimentar um dia. Ademais, nos resta esperar para ver se nossa evolução poderá ser comparada com a proposta de Eu, Robô, no caso, este livro passara a ser um manual.


Esperamos que tenham gostado da resenha, leiam outros livros de Isaac Asimov!


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