FLI7 - Literatura como arte que transforma a realidade
- Rayssa Carneiro
- 14 de out. de 2017
- 4 min de leitura
Nos dias 27 a 30 de Setembro ocorreu a Segunda Festa Literária Educadora 7 de Setembro (FLI7). O evento reuniu em 4 dias de palestras, shows, música, sarau, oficinas, concurso de poesia, vídeos e lançamento de livros. A Festa Literária ainda fez uma homenagem ao escritor Patativa do Assaré com um concurso que ganhou seu nome. Além da curadoria geral existiam curadorias segmentadas com propostas como Arte & Literarura, Design de livros e também para públicos específicos, como o infantil e juvenil.
O evento como um todo trouxe uma vasta discussão sobre o impacto da literatura no cotidiano, dessa forma tratando a leitura como transformadora de realidades. Como afirmou Fabio Delano, curador da Festa, "A cultura é uma missão muito clara para nós, e a educação funciona como ponte para a construção do indivíduo, que vai estar sempre se aprimorando”.

Como expressão de seu eixo temático a FLI7 contou com uma palestra de abertura intitulada Literatura e Transformação que foi grandemente ministrada pelo jornalista e escritor mineiro Luiz Rufatto à qual o Projeto LER pôde comparecer. Tivemos oportunidade, ainda, de presenciar uma rica conversa entre Ana Miranda e Graça Fonteles, escritoras cearences que discutiram sobre o Feminino na Literatura.
Na conferência de Ana Miranda e Graça Fonteles ambas falaram de formas diferentes sobre o feminino. Ana falou de sua uma trajetória voltada para artes enquanto Graça comentou de seus estudos sobre a relação entre a religiosidade e a mulher. Ao fim da conferência Ana Miranda leu sua crônica para o jornal Diário do Nordeste, A Mulher que lê.

Já na palestra de abertura, ministrada por Luiz Rufatto o comunicador e escritor nos permitiu uma discussão que mais parecia uma conversa. Falou de sua infância e de sua trajetória. Menino pobre, nascido em Cataguases, pequena cidade mineira que tem a economia fundamentada em torno de suas fábricas de tecido. Rufatto relatou como era insatisfeito desde a juventude com a vida quase certa de que levaria se seguisse os passos das pessoas ao seu redor e se seguisse a vida que sua cidade e suas condições fixavam.
Desse jovem sem vislumbre de futuro, de filho do pipoqueiro da cidade, Rufatto contou com muito bom humor e empolgação como suas leituras de infância se tornaram sérias e relevantes em sua vida e mencionou o poder que sua formação em comunicação e sua leitura tiveram em transforma sua realidade.

Rufatto ainda afirmou que os escritores não devem escrever de forma a alcançar seu público mas o público que deve ser capaz de alcançar o escritor, ou seja, o leitor que deve aprimorar sua leitura a fim de compreender as obras, e isso é feito com o tempo, que a boa literatura e leitura deveria ser acesso de todos. O escritor também nos disse que cada interpretação é única e que os leitores nunca estão equivocados em suas interpretações, pois cada um cria seu mundo, seu texto, sua visão e suas interpretações.
Atualmente Rufatto largou sua carreira de jornalista, apesar de ainda escrever para o jornal El País, e é escritor. Rufatto nos contou, ainda, a justificativa para seu estilo de escrita. O autor enxerga que os livros não representam a vida cotidiana do povo e lança seus livros com intuito de modificar a maneira rasa como as classes trabalhadoras são representadas na literatura, trazendo para as páginas da ficção brasileira cenas e personagens da classe média baixa e trabalhadora.

Na visita ao evento tivemos a querida participação da aluna de Engenharia Civil Tereza Melo que nos deixou um depoimento sobre o que pensou da sua presença na Festa Literária.
"O projeto LER (Literatura, Engenharia e Reflexão) tem realizado ações que aproximam os estudantes de engenharia da literatura, dentre os encontros literários divulgados por ele, pude participar do FLI7 (Festa Literária Educadora 7 de setembro). Além de enaltecer a riqueza da literatura brasileira, o encontro permitiu uma aproximação única entre leitores e escritores, já que estes estavam presentes e abertos à participação do público. Na ocasião, tive a honra de conhecer o trabalho da romancista Ana Miranda e apreciar a história de vida do escritor brasileiro Luiz Rufatto. Dentre as obras citadas no evento, a que mais me cativou foi a crônica "A mulher que lê" da escritora Ana Miranda, a qual retrata de maneira sublime a singularidade da mulher que lê."
Tereza Melo, aluna Engenharia Civil - UFC

Mais sobre os conferencistas
Graça Fonteles é autora da coletânea de poemas Garimpo de Sonhos, do estudo crítico Cecília Meireles Lirismo e Religiosidade e do volume de memórias No Colo de Minha Mãe. Atualmente, trabalha em seu novo livro, uma extensa pesquisa sobre as questões entre o feminino e o sagrado.
Ana Miranda é autora de Boca do Inferno que lhe fez ganhar o prêmio Jabuti de revelação. Publicou outros romances como Desmundo (1996), Amrik (1997) e Dias & Dias (2002, prêmio Jabuti de romance e prêmio da Academia Brasileira de Letras). Viveu nos Estudos Unidos onde foi escritora visitante em universidades como Stanford e Yale e representou o Brasil perante a União Latina, em Roma.
Luiz Rufatto é formado em comunicação e já publicou livros como a pentalogia Inferno provisório e o aclamado Eles eram muitos cavalos, que recebeu o prêmio APCA e o Machado de Assis, da Biblioteca Nacional. Segundo o autor sua obra é um projeto claro de trazer para a literatura brasileira cenas de personagens da classe média baixa representando o operariado brasileiro e a vida comum do povo.
Crônica
A mulher que lê
“Ela tem um brilho diferente no olhar. Parece que vê mais, sente mais, transmite mais. Que sonha mais, e mais entende a realidade, a mulher que lê”.
Ana Miranda.












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